quarta-feira, 12 de maio de 2010
Explicação
Minha mãe disse-me outro dia:
Menina, só pensas em poesia?
Pode não, pois lunática ficará.
Eu explico, em poesia, mãe...
Sou um pequeno grão de areia
No meio desta vasta imensidão
Hoje me sinto menos alheia
Ao que vem do coração
Acordo mais leve e plena
Quando a sinto palpitar
Pedindo papel e passagem
Para meus versos "escrevinhar"
Agora o que vejo é mais belo
Mesmo o sândalo perfuma o martelo
Então o que faço é cantarolar
Vejo em tudo ela brotar
E grito suavemente a melodia
E viva e viva a poesia...
terça-feira, 11 de maio de 2010
Doce espera
Olho ao meu redor
Vejo poesia no sol, na lua
E nas lágrimas da chuva na janela
Que acompanham minha constante espera
Em minha mente, você, doce quimera
Fecho os olhos
Penso em teu abraço envolvente
Sedento ( ambos)
Num lampejo de um distante-caloroso
Coro ( rubras faces)
Imagino teus lábios nos meus
Famintos ( duplo instinto)
Nossa pressa e calma
Sinto ( arrepios na alma)
Em minha vida complexa
Tua ausência é prenúncio
Das almejadas horas vindouras
Onde só há completude
Nossa maior virtude.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Forte brisa
Meu amor é forte
Qual escultura de concreto
É reto.
Caminha léguas
Transpõe montanhas
Navega mares
É erva de raiz forte
Nunca reconhece a morte.
Meu amor é brisa
Leve tal qual pluma rara
É livre.
Flutua suavemente
Baile de borboletas
Revoada de andorinhas
É todo ele harmonia
Minha mais lúcida fantasia.
domingo, 9 de maio de 2010
Sonhos
Sonhos são para se viver
A "realidade" muitas vezes
Apenas encobre a verdade
É preciso sinceridade
É preciso sentimento
É preciso esperança
E tudo acontecerá
Repentinamente...
Sonhos são para se viver
Não para se guardar
É preciso entender
Que a vida é breve
E mais breve, o tempo
Correr ao vento
Fazer realizar
Afinal,
Sonhos são para se viver
A "realidade" muitas vezes
Apenas encobre a verdade
É preciso sinceridade
É preciso sentimento
É preciso esperança
E tudo acontecerá
Repentinamente...
Sonhos são para se viver
Não para se guardar
É preciso entender
Que a vida é breve
E mais breve, o tempo
Correr ao vento
Fazer realizar
Afinal,
Sonhos são para se viver
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Beija-flor
Outro dia uma flor roubou-me a atenção
Parei para olhá-la, contemplá-la
E como quem se reconhece
Enxerguei-me nessa flor
Serena, calma, colorida
À espera de cuidados
De repente, uma mosca aproxima-se
E a flor, carnívora, num ímpeto
O devora com um golpe fatal
Voltando serena a seu estado normal
Espera...
Serei mesmo essa flor?
Não, nem sequer enxergaria a mosca
Pois mesmo faminta como estou
Ainda prefiro o doce beija-flor.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Pintura íntima
Hoje voltei ao atelier
( Queria tanto te ver)
Peguei tinta e pincel
( Como quem bebe teu mel)
Em gestos alegóricos
( Nossos corpos eufóricos)
Primeiro, um borrão
( Sinto falta da tua mão)
Sem jeito aparece uma flor
( Venha logo, meu amor)
São cores transbordando
( Sonho que estou amando)
Borro tudo em vermelho
( Teu rosto no espelho)
Exagero em tons liláses
( Não seques, meu oásis)
Agora contornos amarelos
( Não quebre nossos elos)
E enquanto formas eu criava
( Bebas da minha palavra)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Plenitude
Nas indas e vindas de humores
Permaneço em tépidos torpores
E quando a lua muda de fases
Ainda assim não somos fugazes
Nem mercúrio, plutão ou marte
Apagam esse fogo que arde
Me invadindo o corpo sedento
Mas longe de ser um tormento
Vivo sem quebrar o encanto
E entoo ao vento meu canto
Construo sozinha vários laços
Preparando nossos abraços
Momentos raros mas leais
Nada além disso quero mais
Enfeito seu corpo de cetim
E pinto minha boca de carmim
E mesmo a lua mudando sua atitude
Ainda prefiro e enalteço a plenitude
terça-feira, 4 de maio de 2010
Pedra-sabão
Em meu coração tolo
Feito de pedra-sabão
Imprimi teu nome
Desde então
O que ouço são sinos
Da terra distante
O que vejo são anjos
Que acompanham crianças
O aroma que inspiro
São de jasmins liláses
O alimento que serve-me
É parte de tua alma
E tudo em que toco
Transforma-se em ouro
E em meu sexto sentido
Tua presença constante
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Neon
Vejo um mundo diferente
Mundo azul, todo ele neon
Um pássaro desliza
O céu protege
O vento leva
A paisagem camufla
E aqui, nem sequer sei voar
Completamente deslumbrada
Contemplando essa cena
Vislumbro o céu
E, no entanto,
Ao sentir a brisa desfaleço
Sim, minha alma
Livre do corpo desliza
E assim sou forte
Sou pássaro neon a deslizar
Sou vento e paisagem
Amanhece...
E meu corpo cobra a alma.
Papai
Seus cabelos prateados
Trazem o brilho da lua
Seu sorriso maroto
Guarda em si a criança
Com ele firmei uma aliança
Serei sempre sua menininha
E por isso, nunca estarei sozinha
Meu pai é belo, constrói castelo
E, ouvindo suas sábias palavras
Me acalmo, me curo dos males
Navego com ele por todos os mares
Meu pai sabe voar e pousar
E mesmo sem querer está sempre a me ensinar
A bondade, o respeito,a caridade e o amor
Por isso canto esse hino em seu louvor.
Pai, meus parabéns por essa caminhada, sempre rumo à evolução, posso afirmar que você é um grande sessentão!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Brado
Meu grito sai sufocado
É um brado, quase calado
Mas implora teu socorro
Para que eu não desatine
E perca o controle
De algo que nunca tive
E que agora suplico
Dá-me água de beber
Minha sede é imoral
Posto que sou reles mortal
Dá-me alimento a ingerir
Minha fome é a imensidão
Deste céu sem fim
Dá-me poemas a deglutir
Minha ignorãncia é pura
Como o sorriso de uma criança
Dá-me sorrisos a distribuir
Antes que eu veja o dia ruir
Meus anseios me consomem
Faça de ti meu homem
Porque sou tua mulher
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Elemental
Vôo rasante
Pleno, livre
Caio em nuvens
Sou pássaro veloz
Tecendo no céu
Meu caminho
Banho-me de luz
Sou água que escorre
E desagua em mar
Salgo minha pele
Sedenta, com frio,
Crio raízes, terra firme
Ponho-me de pé
Acendo a fogueira
Que existe em mim
Sou e estou lívida
Plena e lúcida
Lucidez que cega
Sou elemental
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Lua, sempre a lua...
A lua, sempre a lua,
A me rondar espreitando meus sentimentos
Esmiuçando o íntimo do meu ser ínfimo
Aquela que me cobre, me embala, me distorce
A lua irradiando-se sem me pedir licença
Acalentando meus doces sonhos delirantes
Como que me sussurrando ao ouvido segredos
Enchendo-me de graça, diante de seu explendor
Lembrando-me da imensidão das galáxias
Cantando-me ao ouvido belas canções de amor
Lua, companheira do meu romantismo embutido
Acompanhando-me desde a mais tenra idade
Inundando-me de prateada e sinuosa saudade
Atirando-me em verdadeiros poços cristalinos
Refletindo como um espelho minhas quimeras
Lembrando-me o sabor das emoções vividas
Lua vívida, cheia, transbordando sensações...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Momentos
A vida é feita de momentos
Pequenas alegrias ao longo do dia
Um telefonema, uma poesia
Um mimo, um "mais que dar amor"
A vida passa depressa
E com ela nossos sonhos
Devemos beber o cálice dos bons momentos
E deixar de acomodarmo-nos com o tédio
Com aquilo que nos machuca e incomoda
A vida bem vivida é música suave
É beijo longo ao luar de luz intensa
A vida é leve brisa passageira
Com pitadas de alegrias passageiras
Mas que quando sentidas profundamente
São impressas no corpo e na alma
Tornando o intervalo entre essas alegrias
A nossa melhor e maior festividade
Apreço
Nestes dias em que aproximas
o teu eu de encontro ao meu
entro no encanto da sedução
então
seduzida e entregue
corpo e alma leves
plenas de vida e emoção
Quisera ter dito as palavras
impressas na mente
perdidas na nossa pressa
todas as palavras
desde o olhar ao toque
do beijo à tentação
do perigo ao desconhecido
inconseqüências
sempre tão carregadas de urgência
então partindo do desconhecido
ao gosto do já sentido
vivido
tatuado em nossos corpos
cansados de resistir
quero apenas te amar, sentir
nossos corações carentes compassados
tudo isso parece-me agora
resgatado
palavras são indizíveis
e bem sabem os amantes
que nesse instante
a junção das almas é etérea
eterna
nossas palavras descomedidas
incandescentes
as veias efervescentes
novamente os fenômenos caloríficos em mim
Passou muito tempo
e no entanto
não passou tempo algum
o que está perto consigo ver
às vezes entendo
noutras compreendo
mas sempre apreendo
relíquias do raro
nossas almas e nossos corpos
sabem que o amor é além
e quando muito tempo distantes
ficam dissonantes
preparam-se os abraços, os afagos
carícias guardadas num potinho de ouro
para nossos momentos de êxtase
então
consuma-me
e que seus braços me estenda
e que sua voz me conduza e acalante
para que seu membro vibrante
penetre novamente minha alma
sedenta de ti
e enfim
suaves ondas após o maremoto
nos conduzirão à terra prometida
você entregando suas palavras
só para que eu possa amá-las.
Essa linda poesia é do Zé:
Por ti, em ti!
Por ti
darei o Sol, a Lua,
o afecto, o carinho,
a paixão e o amor!
Em ti
ficará o homem
que vive
momentos felizes,
quando te sente,
te ama,
mas não vive sem ti!
José Manuel Brazão
Assinar:
Postagens (Atom)



















