sábado, 23 de maio de 2009

Clariciana I


Lá fora habitava a paz inventada, a paz dimensionada em outro ser. Tolices de uma mente utópica. Sempre quisera buscar fora o que tinha como lar o coração. Mais cômodo não? Ou seria porque foi treinada para possuir? Dúvidas subitamente povoavam seu ser, um ser fadigado de batalhas contra si. Sentia a inconstância vivida por querer sempre o que dela não dependia. Como era tortuoso e longíquo o caminho escolhido para fugir da dor de ter que crescer só. Se soubesse desde cedo que sempre que fugia ou ludibriava a dor ela novamente a esperaria na próxima esquina, descansaria em vez de debater-se em vão. Se soubesse desde cedo que a vida é feita para ser trilhada dentro de si, certamente teria muito mais a oferecer. Sua impressão inicial acerca do propósito da vida deveria acompanhá-la desde que pôde ser compreendida e no entanto quebrou a promessa que fizera a si mesma quando pura. A suposta maturidade juvenil e adulta passaram-lhe a perna. O deslumbramento de ser dona do próprio nariz roubou-lhe a inocência. Agora, teria que desdobrar-se se quisesse retornar ao ponto crucial onde perdeu-se de si. A descoberta banhava-lhe ora de esperança, ora do desespero pelo tempo perdido. Banhava-lhe de suor e lágrimas. Inundava-lhe de um sentimento de que se conseguisse respeitar seus instintos e, ao mesmo tempo domá-los teria o mundo. Ah, mas ardia-lhe na pele e nos órgãos uma dor incomensurável, a conhecida dor que muitas vezes impedia-lhe de mover-se, sabia que sem superá-la seu destino seria nadar e morrer na praia. Mas como desvencilhar-se de um passado recente e retornar àquele que sempre foi e será o ideal? Como despir-se de uma capa que já lhe moldava a alma? Como retirar a máscara imposta e aceita? Como mergulhar novamente no propósito original? Já não dormia mas descobrira que precisava do sono, mestre do repouso e da comunhão de sua alma com o Pai. Sua alma sempre soube o que deveria fazer mas tecera para si a armadilha dos maus hábitos. Então passara a boicotar sua paz interior. Agora pedia licença para dormir horas e dias, para dormir o sono de quem desperta para dentro de si. Enfim.

sábado, 9 de maio de 2009

Mamãe


Minha mãe é mãe.
A verdadeira mãe é aquela que diz um milhão de vezes que não vai mais fazer nada por você, tamanha sua decepção mas em seguida faz algo tão grande e nobre do qual você nem sabia que precisava.
Minha mãe é mãe.
Minha mãe me ensina tudo o que sei e devo saber. Minha mãe me ensina o que não se deve fazer para evitar o sofrimento, mesmo sabendo que teimo em não ouvi-la.
Minha mãe é mãe minha e do resto do mundo, seu instinto maternal é pleno.
Minha mãe é mãe e mulher, é profissional e dona de casa, é ainda irmã e companheira.
Minha mãe é toda cuidados.
Minha mãe carrega dentro de si a sabedoria e ao mesmo tempo a dúvida.
Minha mãe é sábia mas é pura.
Minha mãe lava a minha alma, tá lá sempre que preciso. Minha mãe me ensina a ser gente, me ensina a amar. Me ensina a amar porque seu amor é incondicional.
Minha mãe é minha, é dos meus irmãos e sobretudo é do meu filho. E é também de seus irmãos, dos seus sobrinhos e de seus amigos.
Minha mãe foi e sempre será mãe de sua mãe.
Minha mãe é mãe de quem precise.
Minha mãe enche meu coração de ternura. Minha mãe é toda sacrifício, renúncia e beleza.
Minha mãe, com seu olhar desnuda-me a alma e provoca o milagre da felicidade de ser compreendida sem que eu precise dizer uma palavra sequer.
Minha mãe vela meu sono desde que nasci. Minha mãe velará meu sono em outras moradas também.
Minha mãe é abrigo e nunca cansaço.
Minha mãe é tudo que uma verdadeira mãe deve ser.
Minha mãe é mãe.
Minha mãe é a Júlia.

terça-feira, 17 de março de 2009

Epitáfio




No alto, a lua.
Sob ela o firmamento.
Aqui embaixo, eu.
Olhos molham-se diante da questão:
Poderei eu, um dia, fundir-me ?
Imprimir talvez minhas marcas, meus sentidos.
Abraçar essa mãe e ser aconchegada em seu ventre.
Admirá-la com os olhos do coração.
O brilho da luz cegando a retina.
Amor, devoção, emoção.
Esse não é o começo do fim.
Esse é o retorno a si mesmo.
O retorno à inocência.

sábado, 7 de março de 2009

Introspeçcão


Introspecção
Sem tensão
Com tesão
Concentroapenasemsereumesma
Razão
Nessa confusão
Turbilhão
Vazão
Concentração
Emoção
Coração
Viagemparadentrodemim
Enfim.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Contradição



Perdida em um leque de possibilidades,
escrava da liberdade.
Vôos altos e ligeiros
dispersa na galáctea
presa em mim
e quando tudo parece desvair-se...
Volto a devanear
sou libélula
sou plancton
sempre na superfície
tentando
em vão?
Sobreviver.
Vida de mistérios
enigmas
dogmas
tão ilusórios,
sempre tão reais.
Nessa viagem ao meu Eu profundo
confortavelmente entorpecida
sigo cantando, chorando
flutuando em bolhas de sabão
e vez em quando
cantando, chorando
mergulho em águas profundas,
fonte das emoções.
Vida vivida,
um dia história.
Cambaleando equilibradamente.
Procuro sentido nessa lucidez que me cega.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Encontro


Vontade de juntar
O céu e o amar
Conseguir me despertar
Ser livre para o mar
Quero poder crescer
Sem essa dor doer
Vou me encontrar
Esse é o lugar :
Eu !

Viagem


Não preciso de asas
Vôo assim mesmo :
No chão .
Nem é preciso
Soltar a imaginação
Pois ela já não me pertence
Nem me obedece .
Sai, e vai ...
Longe .

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Luz


Reluz
Ouro
Espelho
Olho
Contemplo
Sorrio
Choro
Vivo
Viva
Estou

Leve...

 
Leve...
Hoje acordei mais leve
Deixei pra trás tudo o que vivi
Cresci...
Hoje acordei mais leve
Estou na constante busca
De viver o presente
Um dia de cada vez...
Ontem minha cabeça pesava
As lembranças e o pensamento
Atormentavam meu momento
Hoje acordei mais leve
Concentro-me em ser eu
Mais uma vez fênix
Pensamentos silenciados
Sinto...
Não necessito mais de asas
Descobri que elas são internas em mim...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

2009

Lá vem mais um ano e com ele a promessa regada de esperança de que tudo irá transformar-se em luz.
Ele vem como um bebê curioso, descobrindo o mundo e tudo o queremos é que na despedida encontremos 2009 mais maduro e pleno.
Assim nos enfeitamos para receber sua chegada.
É tempo também de refletirmos o que se passou no já velho 2008. Então lembraremos tudo o que aconteceu, o que nos ajudou a crescer é o que deve ser guardado. Se assim o fizermos certamente teremos um passo maior em direção à luz. Os sofrimentos não deverão ser esquecidos mas sim lembrados como o anti-exemplo de como agir.
Então, felizes nos recordaremos de todos aqueles que nos estenderam as mãos quando já não tínhamos forças para nos erguer de mais um tombo sozinhos... amigos de verdade sempre estarão ao nosso lado independente da situação e da possibilidade.
É a vocês, meus amigos, que ofereço um 2009 cheio de braços ao seu redor. Amigos que me viram cair mas que nunca me deixaram no chão.
Minha família maravilhosa que além da amizade plena me apontam o caminho sem no entanto me obrigarem a trilhá-lo, e me apóiam independentemente de acharem, ou não, que estou na estrada correta.
Já li em algum lugar que família não são aqueles com quem temos laços sanguíneos mas sim os que escolhemos para estarem ao nosso lado na caminhada. Pois bem, orgulho-me de dizer que minha família toda, sem exceção, parece que foi escolhida por mim antes de regressar a esse mundo, e mesmo se não tivéssemos laços sanguíneos continuaria chamando-lhes de minha família.
Agradeço a Deus por ser uma pessoa afortunada porque além dos consangüíneos vieram estar ao meu lado os meus amigos-família de coração.
Não tenho do que me queixar, ao meu lado entes queridos.
Meu filho maravilhoso ( e é tão raro), que veio para me curar e ensinar.
Meu amor ( e é tão raro), que parece ter chegado a pouco mas que, eu sei, apenas retornou.
Sou feliz e abençoada.
Obrigada meu Pai. Quando retornar a ti certamente seguirei mais forte.
Como só tenho o que agradecer espero que no ano que se inicia possa estar mais forte para nunca faltar àqueles que me querem ao seu lado.
Sim, 2009 virá cheio de LUZ.
( Na verdade não sou luz mas apenas caminho em sua direção.)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Onírico


Fecho meus olhos para tudo o que vejo
Fecho os olhos para abri-los para dentro
E enxergo claramente dentro do meu ser
Aquilo que fui e o que posso vir a ser
Meu ser finito dorme
Meu ser infinito brinca em meus sonhos
Voa plenamente e livremente
Sem grilhões que o prendam
Brinca de voar por entre as estrelas
No contorno suave do seu rosto
Busco-me e encontro-te
Fora de mim, forte
Dentro de mim, mais forte
Permaneço suave como as estrelas
Pois agora faço parte delas...
Brilho por mim, te ilumino
Essa luz derradeira...

sábado, 30 de agosto de 2008

FLOR E FERA


Tenho uma FLOR chamada LUCIANA
De vez em quando (e de quando em vez)
ela me engana
e vira FERA ...:)

Autoria: Sua MÃE
( E AMIGA)
Júlia Gonçalves da Silveira

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Descoberta

Seu caleidoscópio caiu no seu chão de esmeraldas e partiu-se em mil pedaços espalhando pelo chão milhares de cores e formas abrindo um leque de possibilidades.
E então ela descobriu que a vida não era tão colorida como o caleidoscópio que sempre usara.
Respirou fundo.
Chorou.
E foi um pranto tão sentido que era como um êxtase; ao mesmo tempo que doía a nova constatação lhe percorria pela espinha um frio deixando o sentimento de tornar-se especial a partir dessa nova descoberta.
A noite já retornava e uma lua que levitava no céu, iluminava clareando os sentidos e trazendo esperança. Uma esperança esperada mas sofrida...
Sentia-se envergonhada... não por ter cometido tantos erros durante toda sua existência, nem por ter olhado pelo caleidoscópio na tentativa de melhorar o mundo mas por ter fugido sempre do negro não percebendo que a fusão de todas as cores resulta na cor preta. Isso ela não podia ter ignorado. Era por isso essa dor imensa tardiamente sentida. Não poderia passar por cima, queimar etapas e ficar ilesa no momento do insight.
Sentiu-se tremendamente egoísta...por muitas vezes tivera a chance de compartilhar da visão do caleidoscópio e não o fez porque era mais cômodo habitar seu ilusório e utópico mundinho. Como o Pequeno Príncipe solitário no seu asteróide.
Tivera, por alguns minutos, raiva de si mesma...decepção consigo por não poder/saber ausentar-se e deixar as asas guardadas por um tempo. Raiva de não conseguir ficar com os outros no chão. Não precisava ser por muito tempo, ela poderia ampliar seu campo de visão e retornaria ao seu mundo somente para renovar suas forças. Como o Pequeno Príncipe solitário no seu asteróide resolveu sair e conhecer outras coisas fora do seu mundo...Ele descobriu o valor de tudo que possuia graças a sua ousadia e sua ausência temporária. E principalmente descobriu seu valor quando reencontra sua rosa.
Respirou fundo.
Não chorou mais.
O primeiro passo, o da consciência da estupidez do seu ser finalmente havia emergido.
Respirou fundo.
Permitiu-se chorar.
Perdoou-se.
Deu seu último suspiro antes de caminhar rumo ao tempo perdido.
E então como que trilhasse ora por sob estrelas, ora por sob a grama verde seguiu em busca da paz e da luz.
Ora respirando fundo.
Ora chorando.
Mas dessa vez seu pranto causava-lhe um êxtase diferente, era assim como nascer de novo a cada dia e a cada nova descoberta.
Era o começo.

quarta-feira, 23 de julho de 2008


Essa poesia é sua? ? Ou a dor? Luluzinha, não fica cansada dessa guerra. A vida é luta... é assim.Quando tudo te sufocar, vai pro quintal do vô.Lá tem a sua jabuticabeira, tem a Olívia, tem infãncia( nunca perdida).Sinta, peceba aquele quintal, presta atenção no barulho, nos bichinhos, em cada detalhe...Eu vou estar lá, todos estarão, mesmo os que na Terra já não habitam... A sua filhinha era Aninha e vc me deu a Glorinha pra ser minha, lembra?Seja gentil com vc como vc foi comigo( me deu a Glorinha que era loirinnha!!!)Hoje, vc tem o Rafinha! Olha, que gracinha!Aquele quintal é mágico como a terra do nunca!Eu escolheria o país da Alice! Vai colher tomatinhos! A vida é boa tbm, mas nos detalhes.Escute ABBA! Faz bem...lembra a casa da Ciroca! Bjs.
Essa mensagem eu recebi da Mary num momento de crise existencial... e é incrível como seu texto me rementeu ao meu passado muito feliz, eu era tão feliz que achava que eu era a criança mais feliz do mundo. Agora, com a ajuda da Mary, me sinto feliz novamente...uma luz no fim do túnel. Valeu Mariane, vc me deu de presente tudo que é preciso para que a dor vá embora...lembrar de momentos como esse porque as vezes temos tendência a lembrar o que foi ruim no nosso passado e esquecer o quanto já fomos felizes e amados. Talvez vc não saiba como sua msg me roubou os mais intensos sentimentos e da forma mais simples como vc disse. Te amo!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Encruzilhadas


O céu estrelado banhado com uma imensa lua cheia iluminava o caminho de Anne, que simplória de vida e de coração, morava na beira do mar.
Ela caminhava em direção à praia na esperança de que ele aparecesse e a fizesse novamente sorrir.
Qual o que? Pura ilusão. Dia após dia ele golpeava seu coração, que ainda estava cicatrizando-se pela perda do último amor...
Foram anos e anos sem sentir aquela sensação, de coração acelerado, frio na barriga, um “não conseguir expressar-se”, às vezes até calafrios...
Sem perceber, sem avisar, nem precisar, sem entender, sem amarrar, nem pressionar...
Foi de um tempo pra cá que ela percebeu-se encantada, emocionada, apaixonada por Pedro, “ai Pedro, seu sorriso era simplesmente a medida de todas as dores e ao mesmo tempo um querer mais que bem querer.”
Havia intermináveis noites de espera, reza, súplica...
Mas Pedro: “Apenas uma fumaça distante no horizonte”.
Enquanto que Anne, como Helena, todas as noites esperava seu amor voltar de seu longínquo esconderijo.
O que não sabia Pedro é que mesmo fugindo carregamos dentro de nós, o sentimento que se quer esconder ou sufocar. E havia fugido para se defender de um sentimento que de tão infinito lhe dava medo. Não, Pedro não saberia lidar com esse sentimento forte e não queria perder o controle de sua própria vida. Pedro não sabia o que era o amor.
"Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo." Com Anne ele havia decorado a lição mas não havia apreendido o verdadeiro significado.
Sempre há o caminho mais fácil, onde por medo de perder acabamos perdendo.
Até quando Anne o esperaria? Guardaria as lembranças a sete chaves? Viveria do que passou? – essas perguntas passavam pela cabeça de Pedro, que atormentado descobrira a importância de Anne em sua vida.
E era assim: enquanto Anne descansava lívida, Pedro sucumbia ao pânico.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Onde?


E onde está ela?
Sim, agora vejo seu rosto reluzindo na luz da lua...
Claro, ela só pode ter ido pra lá aumentar seu brilho...
Encontrar São Jorge e bater um papinho, talvez um desafio de trovas...
Apear da garupa de seu cavalo só pra com sua força ajudá-lo a vencer o dragão.
Sua vida de batalhas vencidas, de paixões recolhidas, de renúncia bem combina com São Jorge guerreiro!
Te amo novo brilho da lua!
Vá com Deus continuar seu croché tecendo teias de vida, vá em paz irradiá-la para nós pobres humanos diante de sua grandeza.
Deixa aqui vários órfãos mas deixa aqui exemplo de força, Mãe força, esse é seu nome.

terça-feira, 25 de março de 2008

Vibrações

Ela então olhou a lua da varanda de seu quarto e de repente toda a sua vida enchia-se de sentido novamente...
Lua cheia, renovação de energias...
Vibrações boas chegam enfim...
Ela olhou a lua tímida tendo o céu como leito brilhando diamantemente...E decidiu timidamente a voltar a brilhar...

domingo, 16 de março de 2008

Sempre

 
Sempre assim desde que te vi
Sempre assim sentindo-me um bem-te-vi
Sempre estou a te procurar
Sempre, sempre a te amar
Sempre sol no meu caminho
Sempre rouxinol no meu cantar
Sempre luz no meu luar
Sempre acesa e a brilhar
Sempre contigo a caminhar
Sempre esperança em meu olhar
Sempre estrela no meu céu
Sempre vivendo uma lua-de-mel
Sempre esquecendo-me do fel
Sempre elevando minha alma
Sempre fadinhas batendo palma
Sempre imensidão do meu sentir
Sempre novo amor a surgir
Sempre meu coração a aplaudir
Sempre você a me ajudar
Sempre você a me amar
Sempre você!!!!

( A você meu amor, esses versinhos cheios de cor. Parabéns pelos primeiros nove meses do resto de nossas vidas)