Percorro os olhos pela alvura da parede e concentro-me que dessa vez não vou ser emocional, mergulho no infinito da razão como que fosse o último pulo para encontrar a comunhão. Traio-me. Enquanto isso no escuro meia-luz da lua um besouro (talvez) pratica seu ritual. Psicodélica lata sob o local de repouso. Preparo meu pouso...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Invenções 2
Percorro os olhos pela alvura da parede e concentro-me que dessa vez não vou ser emocional, mergulho no infinito da razão como que fosse o último pulo para encontrar a comunhão. Traio-me. Enquanto isso no escuro meia-luz da lua um besouro (talvez) pratica seu ritual. Psicodélica lata sob o local de repouso. Preparo meu pouso...
domingo, 20 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Todo Inteiro
Metade de mim é lampejo
A outra é sossego
Metade a verdade
Muita saudade...
Metade de mim é segredo
Metade é como um beijo
Pura lealdade...
Metade de mim é acalanto
A metade outra é pranto
Todo inteiro pleno...
quarta-feira, 16 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Águas profundas
Laço o lume da estrela e com ela vagueio. É pegar ou largar, no fundo escolho mas trapaceio. Coisas que me vêm à cabeça, lampejos de dias idos, ainda precisos na mente. A cabeça mente o que o corpo ainda sente. Nega. E nesse ir e vir de imagens mentais soam sinos ante a idéia móvel e fugidia de um dia ter e ser. Não vou falar de amor por hoje, quero apenas rezar. Olho pela janela, a lua mingua e é assim como me sinto. A bem-aventurança do invisível sentir. Sabor incandescente na aragem da alma ( Penso nisso enquanto sinto a brisa no meu rosto). Piegas, porém belo. Tolo e quase dolorido. Minto e repito como que para convencer não-sei-a-quem um não-sei-o-que. São vagas as minhas divagações, ainda que fixo em meu coração. São nesses dias que preparo o mergulho em águas profundas, despertando o inominável.
quarta-feira, 2 de março de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Considerações sobre a paz
Ele tem tudo que se espera de alguém e talvez essa angelitude assuste, ainda assim abro a janela dos meus sentimentos. E ouço críticas, comentários jocosos, previsão. Nem me importo. Estou de braços e coração entregues a esse futuro (já presente) amor. Isso porque me calo ante seus valores, que são meus. E porque em seus braços encontro abrigo e conforto. Sentimentos inexplicáveis, que quando você menos espera chegam e ancoram. E também olhos reluzentes, verdinhos como a esperança, invadem alma adentro. Também porque brilho ante sua presença. Porque depois que ele entrou em minha vida cuido melhor de mim e de minhas flores. Seu sorriso é meu. Porque quando ele vem, a paz se instaura.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Bendita dor
Entendo a profundidade
Acoplada à imensidão
O sentimento infindo
Precisamente imerso
Nos mares-lares
Desse meu coração
Tatuagem permanente
Vindo em ondas constantes
Alagando o lado esquerdo
Fundindo-se em lágrimas
E tudo é sal
E sempre o sol
Assim são as lembranças
Do vívido tido
Agora
Passado-presente-até quando
Ontem-ainda hoje-você
Em mim.
Visto sempre o amor
Dispo-me do sentido
Dessa bendita dor
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Eclipse lunar
Estavas no céu solitária
Vieram estrelas acompanhar
Cortejar teu explendor
Mas a luz maior vinha de ti
Quando lentamente
A escuridão tomou tua luz
Ainda assim um feixe
Brilhava em algum canto teu
Nada, de fato, escureceu
E para encanto meu
Contigo fiz um pacto
Antes de ver enfim
A montanha lhe devorar
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
A constatação do óbvio fim
Foi naquela manhã de nuvens esparsas, gotejando em pequenas doses e respingando a alma que rompeu-se enfim o silêncio. Disperso no ar o verbo louco e marejado mas sincero e melancólico. Não se sabe se tal fato indicava duração ou apenas mais uma desilusão seguida da burrice lógica de toda mulher. Quem é mulher entende o que a alma esbalda num ir e vir como a maré. Fases da lua, que no certo, mulher, o é. E foi no romper do silêncio que ele enfim instaurou-se. O silêncio revelador. Revelando toda a dor do ser. De ser. Enfim, o fim. Até mesmo a mulher cansa-se, um dia, de lua ser.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sobre a organização do caos
E é quando me sinto entardecer que vem a vontade inerte de escrever. Por dentro latejam rimas soltas, sem direção. Procuro no meio da confusão de sentimentos um papel-teclado para fazer brotar flores onde há caos. E vem reza de anjo torto, vem súplica de diabo querendo virar anjo. O que vier eu desentorto, alinho, tento. E tem tentação de dedicatória também. Nunca para mim.O vitrilho-mente divide-se ao meio, metade arco-íris e em metade, cor não há. Repouso sobre lembranças ainda vívidas, relíquias de esperança e fico a contemplar. Se um botão abre-se em flor, é meu coração que acelera. E agora mesmo, na primavera, meus versos pobres saem salpicados da canção das cigarras. É preciso esses instantes onde pairo sobre mim mesma. Tomo em mim um grito rouco, desenho louco se faz. E que Deus abençoe meus dias em que transformo angústia em mel ou dias em cartas, poesias e amor.
sábado, 2 de outubro de 2010
Considerações sobre quem ama
E porque sempre foi assim não quer isso dizer que sempre será. O que digo hoje pode não ser o mesmo amanhã. A brisa que hoje passeia leve pelos meus cabelos pode voltar no futuro como fúria de vendaval. Carregando consigo pó de minério que um dia brilhou. Não quero prender-me a erros idos em dias tidos como bons. A vida expressa e contida em versos me espalha e desnuda a alma presa ao corpo que acorrenta. E é quando morro que acordo para desejos e anseios. Incontinência arbitrária que atira-me ao longo da tarde. Nessa chama de fogo-fátuo é que me espreguiço e sigo. Nuances de cetim e carmim que brotam de meus lábios. E não adormeço enquanto cada palavra que ouso dizer não couber em minha boca. Ainda bebo cada gota contida nesse cálice. Manhãs inversas, tardes cálidas, noites frias. E longas, insones. Deve ser porque durmo chorando que amanheço poesia. Quem ama entende bem o que digo...
Considerações sobre a paciente insistente
Ela pensa que a dor é coisa fincada no coração da gente e que puxa a gente pro centro da terra tentando nos firmar no buraco que vem do vazio da mente da gente, que mente. O que ela não sabe é que se não é pelo amor é mesmo pela dor que a gente cresce, ou melhor, transmuta. E nesses dias de chuvas primaveris é dentro dela que chove, como uma tortura fininha, lambendo-lhe a pele e a alma. Ela olha pela janela, na vidraça, as gotas que caem são dela e pelo rosto escoam em tórridas sensações de plenitude e vazio. Conta os quatro ventos que ama, que chora e que goza. Conta que está viva ainda e quer e pode. A menina-mulher pensa que é tristeza, mas dela emana-se luz de sol. Porque lá dentro dela a semente brotou e embora tímida quer luz, e briga pra sair por aquela fresta que ainda resta. E vai ser exatamente naquele dia D, dentro do seu vestido azul que ela vai sentir e vibrar, pois com ela hão de se fiar no firmamento todas as estrelas...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Dualidade
O corpo nega
O que a alma sente
Mente a semente
Vem de dentro da gente
Esse sentir maior
A alma tem pressa
Aperta o passo
Chega na frente
Passa por cima da gente
Sem olhar para trás
A vida pulsa
E de nós expulsa
Os nós
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Selinho
Recebi esse selinho de Giselda http://gizelda-desassossego.blogspot.com/ - Desassossego
Fiquei muito feliz, obrigada!
Regras:
a) Postar o selo
b) Dizer nove coisas sobre mim:
1. Amo a vida
2. Sou uma pessoa em constante aprendizado
3. Gosto da criança que habita em mim e brinca com outras...
4. Procuro irradiar amor para todos que precisam
5. A poesia, a música, os bons filmes e os livros são meus grandes companheiros
6. Amo minha família, meus amigos e meu Picture
7. Meu filho é minha maior dádiva
8. Não sei viver sem produzir
9. Não gosto de mentiras, crueldade e covardia
c) Indicar nove blogs
Alma Cigana - Júlia Carolina - http://almacigana19.blogspot.com/
De modo que - Sânzio - http://demodoque.blogspot.com/
Lu entre amigos - Lu Cunha - http://luentreamigos.blogspot.com/
O livro dos dias dois - Everson Russo - http://olivrodosdiasdois.blogspot.com/
Academia da poesia - Renato Baptista - http://academiadapoesia.blogspot.com/
A biografia do fogo - Moisés Poeta - http://biografiadofogo.blogspot.com/
Reviver em versos - Beatriz Prestes - http://reviveremversos.blogspot.com/
Roxo Violeta - Tânia Regina Contreiras - http://roxo-violeta.blogspot.com/
Marquinhos Poesia - Marco Antonio Crus - http://marquinhospoesia.blogspot.com/
É claro que não consegui enviar o selo para todos os blogs que acompanho, porque nove é muito pouco...
Beijos iluminados a todos.
terça-feira, 27 de julho de 2010
O encontro
Hoje saí da cama mais cedo,
( No rosto, estranho desejo)
Olhei-me no espelho
Com ternura e horror
Saí da casca retorcida
E fui para a rua bailar
Sorvi todas as migalhas
( Instauradas no chão-alma)
Percorri vários caminhos
Pecados e amores trilhados
Deslizei leve com o vento,
Despi-me de todo tormento
Água derramou-se no rosto,
( Levando embora o desgosto)
Fui beber todos os males,
Procurar por perto outros ares
Dentro do ponto fugidio
O centro do delírio-naufrágio
Aproximei-me devagarinho do Eu
( Lucidez de quem é insano)
Soltei a matilha de lobas a uivar
Senti-me bela, iluminada pelo luar
Distraída, tinha ido me encontrar
E amei cada pedaço de mim
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Hildeana II
E esse sentimento flor-de-lótus entranhando alma-corpo-espírito combinando com o exato quadro realístico de flores exóticas onde miro meu olhar. Indo e vindo ao vento frio dessas noites de inverno glacial fora e dentro em mim. O corpo cansado tenta em vão e sozinho livrar-se do trabalhar penoso e intenso, profundo e incessante da mente. E tem horas aquela fisgada no peito, lado esquerdo-direito-central, por todos os lados. Chamam de angústia mas nada assusta, tudo distrai, nada descansa, tudo atrai. Traio-me. Apesar de, vejo sóis em sombras, coisas onde não há. Não fosse o lápis deslizando sobre o papel, nessa folha anteversa, não haveria onde escoar tanto sentimento transformados em pobres palavras, símbolos que rabisco, transmutação de letras-sílabas-palavras-frases-textos, e raras, onde eram abundantes, poesias. Exercito a catarse do ser. Noite alta, a luz ainda acesa, o rosto lindo do filhote dormindo na cama ao lado nessa casa centenária. Apagam-se as luzes e fecha-se o livro, sem ler o despejo que certamente será desaprovado para publicação. Ao longe, uma canção, o bater de sinos e o toque de recolher. Depois da catarse, lampejos de luz e paz.
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