Tem gente que tem cheiro
De passarinho quando canta,
De sol quando acorda,
De flor quando ri.
Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede.
Tem cheiro de gente
Que quando acorda
ri
ao lado da flor
e sente no balanço
uma rede.
Tem passarinho com cheiro de gente quando canta,
e rede com balanço e flor, e mais gente sentada ao lado
Para rir e acordar...
aaa, o cheiro de gente como encanta.
E canta enquanto encanta...
Sentada ao lado para não acordar.
Sonia Vico e Luzciana Silveira - Dedicado ao dia da poesia.
quinta-feira, 14 de março de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Vento
Será preciso tempo
ou mesmo o vento
para desembaraçar
seus cabelos
caracóis se perfazem
num emaranhado frenético
miscelanea de idéias
Por dentro.
ou mesmo o vento
para desembaraçar
seus cabelos
caracóis se perfazem
num emaranhado frenético
miscelanea de idéias
Por dentro.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Aspas
Por entre asas
"aspas"
emplumadas - sonhos
Vislumbra-se
o ser
Talvez seja esse
O minuto que antecede
o fruto
Mãos espalmadas
Silencio e lucidez.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Da lágrima
E da lágrima que brotou
Botões vermelhos surgiram
Embalados ao véu da noite
E cada canto contido
Escondido
Extraído agora
Nessa onda noturna
Onde tudo é silêncio
e descoberta
Uma luz no fim do túnel
Um beco onde há saída
Vida.
domingo, 7 de outubro de 2012
Despertar
Noite passada ela dormiu e sonhou que catava estrelas no manto de mãe Maria. Seu dia foi leve como poesia pequena, sem rima nem estrofe, mas linda em sentimentos. E teve cigarra cantando... um bando de cigarras como que chorando a dor de serem efêmeras. Seu canto tinha um quê melancólico, um chamado urgente e desabrochava em si sobre o véu prateado da lua. E a menina, pequena que é diante de tal quadro, adormecida ficou por uns tempos. Mas isso aconteceu antes que ela despertasse para dentro de si...
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
O Silêncio
Tempos de falar, horas de calar
O que se fala é algo incomum
Tempo seco, substancial
Sementes guardadas
Futuramente depositadas
Em solo propício
Pensamento flutuante
Mas pés descalços
Na terra.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Vicissitudes
Minha voz anda soando muda
Silenciosamente reclusa
Obtusa
Decepcionada com o viver
Suas vicissitudes - crueldades
E a carne grita surda
Como está meu coração
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Hoje
Apenas respirar
E a cada manhã retornar
Dormir sem mais se ferir
Sem nem mesmo ter que pedir
Pedido perdido ao entardecer...
Voar em verdes planos
Um dia de cada vez
Em vez de tudo-ao-mesmo-tempo-agora
Porque o ontem não faz mais sentido
E o amanhã está sendo fecundado...
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Chuva
Chuva que não cessa
E inunda a alma
Lavas o pensamento
De quem a sente
Como fosse a semente
Que brota de cada olhar?
Chuva em gotas esparsas
Ou ventanias algozes
Lavas as mazelas
De egos dissonantes
Como fosse a tristeza
de quem não sabe amar?
Chuva que vem de dentro
Utopia viva e latente
Lavas a realidade
Desnudando máscaras
Como fosse insanidade
De quem sabe sonhar?
domingo, 20 de novembro de 2011
Amorletas
Amorleta flua pelas margalisas
Amorleta pousa no meu sonho
Amorleta de gigrandes alasas
Amorleta delíssima faz carinho
Lembra que era só uma lagraça e eu já te amava?
Sânzio Barreto
E a lagraça
Que por hora passa
se transformara em linda Amorleta
De asas purpuraspuras
Como o amor delíssimo
Que maltratavamava nossos corasonhos...
Luciana Silveira
Amorleta pousa no meu sonho
Amorleta de gigrandes alasas
Amorleta delíssima faz carinho
Lembra que era só uma lagraça e eu já te amava?
Sânzio Barreto
E a lagraça
Que por hora passa
se transformara em linda Amorleta
De asas purpuraspuras
Como o amor delíssimo
Que maltratavamava nossos corasonhos...
Luciana Silveira
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Além
Hei de despir-me desse corpo que me veste,
buscar no azul celeste algo que me caiba melhor.
Livre dos grilhões que me prendem,
somente entre luzes-pensamentos estarei.
Nesse tempo, menos breve, haverá paz,
tempo para ser o que sou.
Por entre estrelas bordadas de ouro,
compartilharei então meu tesouro.
E voarei...
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Invenções 4
O poeta não necessita estar amando para expurgar seus demônios. O poeta é todo amor. O amor está na desolação da vida complicada, porque isso significa crescimento pessoal e espiritual. Vez em quando passa por sua vista um gesto de ternura, um olhar complacente, uma conversa cheia de empatia. Cumplicidade. Ora toma conta de si uma loucura branda, como ondas quentes, e passa. Então, com medo de perder-se de si, organiza-se ( ou tenta), jogando palavras numa mesa, colocando-lhe cores e sabores, como um pintor organizando na paleta o que combina e o que não. E enquanto o silêncio fizer-se, brota-lhe no peito um ritmo descompassado de seu próprio coração. Um coração cansado mas disposto a colorir e "poetar".
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
"Ter ou não ter, eis a pressão"
São tantas e tantas pessoas com quem converso que questionam-se o tempo todo: O que é melhor, ficar sozinho ou ficar com alguém? Na verdade, o questionamento deveria ser " ter ou não ter alguém". Digo isso porque hoje o que se vê é egoismo, interesse próprio, e não amor. E o amor de que falo é aquele incondicional. Isso. O mais excluso, impraticado e sublime amor incondicional. Esse "amor" que andam praticando é cheio de condicionais. Se ele isso... Se ela aquilo...se...se...
Fora a pressão da sociedade: idade=valor, para cada idade, uma obrigação e da adolescência em diante, a obrigação de casar, ter filhos, ser um bom profissional.
O melhor mesmo é ter um amor assim, livre de regras, alarmes, do outro...
E pleno de sentido. E não de ter tido.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Dos sentimentos
Nunca sabemos o que inundará a alma de sentimento e muito menos do tipo de sentimento que virá. Pessoas que não fazem mais parte de nossa vida, ao aparecerem sorridentes ( e como são felizes todos os orkuteiros e facebookeiros) remetem-nos a algum tipo de sentimento. Uma amiga, ao ver o ex todo feliz ao lado da atual futura ex, tremeu-se de inveja. Ficou triste ao constatar tal sentimento invadindo seu ser. Perdeu a noite de sono por estar triste com algo que deveria ignorar. E chorou, ficou triste em um cantinho, chamando a atenção de terceiros. O problema é que nem sequer admitia sentir algo por alguém que foi bom mas que passou...E como toda mulher que se preze guardou essa tristeza para si pois não podia admitir o que lhe sucedeu. Como a inveja não é um sentimento nada bom foi transmutando de inveja para ciúme e acabou na solidão. Hoje, fazendo uma análise mais calculada, percebeu que o sentimento era a solidão. Se ela estivesse feliz, com alguém ao lado, olharia as fotos na rede social e vibraria por fulano ter encontrado sua alma gêmea assim como ela. Que bom que enfim clarearam-se as idéias de minha amiga. Mas será que é isso mesmo?
sábado, 6 de agosto de 2011
Desejo-inspiração
É na saudade que ela vem
A bendita inspiração
Com seus adornos sublimes
Onde me exponho em vão
Quase sempre expurgo
Entre bolhas de sabão
Notas tristes, consoantes
Sem vírgula nem perdão
Aquilo que se sente tanto
Meras ondas de fumaça
Num mais sem-mar ainda
E na mente desejo de estar
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Invenções de poemas
Agora a pouco
A lua consumiu-se
e brilhou como quimera
Quem me dera
Queimar-me assim
E como a planar
Em nuvens esparsas
Permitindo-se criar comparsas
Entre os arrebóis de cada dia.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Invenções 2
Percorro os olhos pela alvura da parede e concentro-me que dessa vez não vou ser emocional, mergulho no infinito da razão como que fosse o último pulo para encontrar a comunhão. Traio-me. Enquanto isso no escuro meia-luz da lua um besouro (talvez) pratica seu ritual. Psicodélica lata sob o local de repouso. Preparo meu pouso...
domingo, 20 de março de 2011
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