Quando de repente exausta
Resolvo tudo abandonar
Eis que surge um luz opaca
Absorvo-a em meu ser
E pela alquimia do amor a transformo
Lápis e papel à mão
Brilho forte, de luz radiante
Metamorfose de sensações
Irradiante brilho a rondar-me
Transparência de sentimentos
Enfim, abrando meus tormentos
E a poesia se faz singela
Abrindo portas trancadas
Percorrendo longas estradas
A poesia é luz
sábado, 27 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Como é difícil adormecer...
Uma doce canção ao vento
No meio da noite tento me inspirar
Ao ver expirar minha aflição
Sofro e sinto-me livre
Idiossincrasias dessa vida
Como um cometa atravesso o céu
E me desfaço em milhares de partículas de luz
Tento montá-las em um vitral
Para ver refletido nele meu rosto
No céu, uma lua tímida tenta crescer
Na terra tento adormecer...
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulher
Mulher bonita, bonita mesmo
É aquela que acorda todos os dias plena
Dona de si e de seus atributos
Conhecedora de si mesma
Aquela que esquece de suas dores para amparar o próximo
A mulher que bebe suas lágrimas e renasce
A que dá conta de tudo que há de ser feito
A trabalhadora, mãe, dona de casa, e ainda mulher
Ainda que carente, feminina e forte
A verdadeira mulher tem fases como a lua
Mas não se deixa intimidar pelos reveses da maré
Usa para o bem seu sexto sentido
Busca formas de encontrar e espalhar a paz
Mulher bonita é assim
Por dentro.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Meu eu
Renuncio a hipocrisia
Gosto mesmo é da verdade, ainda que crua
E que me doa nas vísceras minha autenticidade
Que a vida me dê milhares de posssibilidades
Mesmo que com isso eu perca o equilíbrio
Quero meu coração batendo acelerado
Minhas veias levando e trazendo sangue em lavas
O sol da liberdade queimando-me o corpo
Não gosto de jogos, de meias palavras
Quero o horizonte limpo, onde posso ver
E mais que ver, enxergar além
Não me venha com falsos orgasmos
Traga-me a luz de seu cerne
Amo dar e provocar risadas
Porque sou sanguínea
Amo doar-me
Mas nunca mais do que você precisa ou quer
Porque também sei dosar
E se tiver que me atirar de ponta-cabeça no poço
Vou lá
Porque aprendi o caminho de volta.
terça-feira, 2 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Jornada
Pudesse eu ter o poder de refletir o sol que ontem brilhou em mim
Caminho tentando seguir o túnel que leva à luz mas meus passos vacilam
Mergulho em lençóis, na esperança do sonho que reanimará
Tateio, em meio à escuridão, o caminho do sol
Levo em meu coração o cordão que liga-me aos entes queridos
Vejo-me a sonhar acordada pois o sono foge de mim
Volto meu olhar ao horizonte que me eleva ao amor
Reflito no espelho olheiras espessas mas belas
Por que com elas cresço e rejuvenesço mais tarde
Lembro de fatos outrora vividos mas nunca esquecidos
Momentos de vida vividos plenamente
Minha mente abarrotada de ilusões realísticas
Consome aos poucos a esperança
Não desisto, luto intermitentemente
Preciso estar lívida e lúcida
A vida me leva a caminhos tortuosos e retos
Procuro a chave da gaveta onde enterrei meus sonhos
Sempre.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Nem de mim
Vislumbrei o azul, mas só sombra vi.
Embaixo do sol quente, resfolegando estava eu.
Viéses e reveses do passado a me sondar, minha vontade? bailar...
Minha virtude? Diga você...
Na sombra ínfima, me vi tentar, lutar até desmaiar...
A vida a girar em suas luzes ofuscantes,
Deixando-me visionária e só.
Tentei agarrar a sorte com todos os meus dentes,
matrizes de uma vida de busca,
Sorri, chorei, binquei, tentei...
Em vão?
Vi pessoas ao meu redor, pessoas maravilhosas,
Cada qual com sua particularidade e luz...
Roubei um raio de sol,
Sentimento esgarçado pelo tempo,
Esse senhor risível e ilusório...
Ilusões, armações, joguetes de um destino
Será uma constante o ato da busca?
Não sei.
Aliás, nada sei.
Nem de mim.
Diga você...
domingo, 31 de janeiro de 2010
Baile
A lua tocou levemente minha vidraça convidando-me ao amor
Onde estará o formoso beija-flor?
Será que, de flor em flor, esqueceu-se de sua rosa?
Pegarei carona então na cauda daquele cometa
Voarei horizontes longíquos a procura desse pássaro distraído
E tendo-o detido, trarei seus lábios rosados, polidos,
E ao reconhecer sua mais rara flor
Com sua rosa vermelha irá bailar e flutuar
No reflexo da janela, à luz da lua...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Dificuldade
A dificuldade sempre foi uma constante em minha vida dissonante. Desde sempre, desejo revelado, desejo consumido e consumado, desejo novo a nascer. O novo é presente mas as vezes revela medos ou náuseas.
A vida flamejante, cheinha de possibilidades e novidades sempre sempre sempre nova. A novidade vibra dentro, em mim, como o pássaro descobre sua nova rosa e suga-lhe pétalas e néctares. Muitas vezes o azedume mas nunca nunca o parar de tentar. Nunca nunca o desistir perante a dificuldade. Muitas vezes a necessidade vem como vem o novo dia e pede brilho. O medo pode despontar, desapontar, agredir, regredir mas não frear-me. E esses dias que passaram trouxeram-me estranheza mas possibilidade. Tristeza mas responsabilidade ante a precisão da luta e do podium primeiro, ou segundo, ou terceiro, mas ele lá: o podium de chegada. Com suas bandeiras e ares felizes de quem corre mas chega.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Alquimia
Tanto sonho transmutado em outros
São como bolhas de sabão antes de sumirem
E levados pelo bico do beija-flor
Volatizando em parcos ares
Vindo e indo em cascatas
Seguem tocando objetos e seres amados
No céu, sempre a mesma lua
A nos cobrir de esperança luminosa
Aqui embaixo, sempre os mesmos devaneios
Cegando, lucidez luminosa
Mas envolta em brumas esparsas
Pela janela sopro meus sonhos
Esperando que voltem realizando os tais desejos
Enquanto isso fecho os olhos
E permaneço.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Um brilho
Um raio de luar caiu sobre seus tenros cabelos.
Ao passar os dedos por entre os fios, roubei-o pra mim;
Iluminei-me então de seu brilho,
E iluminada segui em meus passos vacilantes.
Mais adiante, o que vislumbrava eram imagens coloridas,
Imagens ressonantes, harmonizadas de seu matiz.
Quando enfim retornei a casa primordial,
Banhada de luz e fundida em sua cor,
O que senti... raízes, vitrilhos primeiros,
Derradeiros,
Desse amor-aprendiz.
Brilhamos desde então.
C a l e i d o s c o p i c a m e n t e...
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Onírico vigilante
Caí da cama mais cedo
Era o vento inerte a sondar
Ares absolutos feitos no ar
A mesma velha chama a clamar
Distraída, corro os olhos na janela
Teria hoje lua para bailar?
Vou ao céu tentar encontrar
O que no sonho feliz ficou
Minha vida a rodopiar
Borboleteando, bailando
Arrancando dos olhos a viseira
Dizendo pétalas em nomes
Ângulos convergem precipícios
Precipitados de ânsia
Olho o olho que me olha
No espelho, olho mas não vejo
Reflexo de reflexões
Sons e silêncios de água
Em busca de mim
Tentando me encontar
Em outro lugar
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Insone
Ego sem endereço certo
Desapareço
Ruas esparsas
Revirando lixeiras
Criando comparsas
Gotas esparsas
Espelhos de pura relexão
Encaro a face da fera
Habitada em meu coração
Escapo ilesa dessa beleza
Num tempo torto
Faltoso
Tramo teias em meu balaio
Enquanto insone distraio
Afogada retraio
Disfarçada
Esquivando-me
Fraca luz do abajour
Convidando-me para o sono
Que não vem.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Sei
Minha alma profana
Nada almeja
Sonhos coloridos abrem asas
E no fim da noite pousam leve
A superfície do rio que corre em mim
Transborda de seres múltiplos
Todos eles alados ou de nadadeiras
Meu ser cobre-se de tenra luz
Levando para longe as desavenças de outrora
A vida é multicolor
E pássaros cintilam em suas plumas douradas
Encantadas por quimeras
De onde vim e para onde irei
Minha miopia ainda interna
Minha utopia ainda inacabada...
O sol quando se põe não sabe onde vai
Assim, sei-me.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Dindinha Lua
A lua tímida tenta no céu florir
Tímida, me mantenho
Sou reflexo da lua
Espelho em que me miro por inteira
Mimos de um ser em crescimento
Teimando em não acinzentar-me
Como as nuvens que encobrem
Meu ser é todo ele interrogação
Para dentro de mim, além do corpo
Para fora, além da razão
Questionamentos cercam-me
O sim, o não,
Contradição...
Sou eclipse em ascenção
sábado, 21 de novembro de 2009
Onírico 2
Devo dizer
Há algo estranho em meus sonhos
Com um salto volto lá atrás
E são lares habitados por mim
Sombrios casarões, inúmeros quartos
O quarto crescente da lua a iluminar
Velhos porões embotados de recordações
A infância vivida na brisa aconchegante
Espaços outrora preenchidos por meu corpo
Espaços inundados de minha alma fugidia
E no invocado inconsciente, as escolhas
Dentre elas, uns acertos, vários erros
Como num passe de mágica, do salto ao vôo
Vou além de onde posso ir, presa que estou
Um corpo denso a enraizar-me no solo árido
A alma sedenta de liberdade e amplitude
Sonhos de vida pulsante, inebriante
Lucidez embriagada e extirpada de mim
Velhas caravelas em mares densos
Pessoas queridas ao meu redor
Saudade querendo o que é seu por direito
Bebês, crianças, adolescentes, adultos, idosos
Mortos
Todos eles, em mim.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O que há
E agora, onde, senhores, pode estar a mola propulsora de todas as dores?
Onde buscá-la, quando é permitido entrar em suas conjunturas,
Emaranhar-se em suas longas espirais ?
Vitrais de beleza e medo, escolhidas no tempo ido,
Ou talvez, caros senhores, no tempo em que fomos banidos.
Desejo... seria ele o repugnate atraente, primórdio,
O vilão vil dessas amarras
Em meu peito.
E nos seus, pobres senhores.
Do lado de lá, onde tudo é revelado, fim dos dogmas,
Do lado de cá, o penar, nos podando as asas, tristes senhores,
A nos sufocar...
Emaranhados em miscelâneas douradas,
Teias da dor-beleza-desejo-medo.
Estão assustados, meu senhores?
Mas é isso o que há.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Por passar
Viver muitas vezes requer maestria. E ninguém a tem por ter. Nascemos, vivemos, amamos, crescemos. Por pensar demais resolvi não pensar tanto assim e viver. Será esse o grande brilho? Asas podadas, que temos, podemos ainda assim voar. O vôo nem depende delas, sendo internas em nós. Internar-se na solidão do penar não é a solução. Conclusão não há. Possibilidades, ah, essas sim, sem fim. Seria viver o sonhar? Sei lá. Só sei que respiro ainda e quero o respirar sem almejar, esse é belo, eterno. Quero mundos sem fim e mundos cheinhos de prazer, ainda que temores me venham assombrar, e não mais em vão. Teria eu enfim calma e paz? Teria mares revoltosos findando-se em desertas ilhas? Faria de pequenos sonhos o pouco alcançar? Traria alegrias sem fim aos que precisam e querem, e sonham também? Só sei que nada sei ainda de fins felizes mas sei que o caminho tem flores, e verdes bosques de mais variados sabores. E quem ousa alcançá-los sem indagações, sem labores, sem louvores, sem viver, não há. Não, esses passam por passar.
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