sexta-feira, 16 de abril de 2010

Em cena


Para que quando a vida anoiteça
Eu amanheça
Faço da minha vida de loucura
A cura
Tento aqui um poema de amor
Sem dor
Cerre os olhos e sinta o poema
Me acena
Sinta em mim confiança
Sou criança
Se pensas que ainda é cedo
Sem medo
Tire-me dessa vasta solidão
Do chão
Vamos ver os belos girassóis
Em lençóis
Não argumentes ter calma
Temos alma
Para meu coração que arde
Nunca é tarde
Nem espere que eu te peça
Você começa
Não peça-me para parar
Venha tentar
Porque aquele que nunca voou
Jamais sonhou
E aqueles que sempre ousaram
Enfim triunfaram
Somente enfeite de flores a cama
E ama

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fome


Essa fome que me acomete
Presente em cada pedaço do dia
Essa fome que me assola
Tornando o dia vasto
E a noite eterna
Essa fome tem um nome
Que ainda não consigo decifrar
Então faço dela o próprio alimento
Da vida
Do corpo
Do espírito
Da alma
Essa fome me come
Me consome
E então...
Amanheço poesia
Entardeço poesia
Anoiteço poesia
Assim a fome se abranda
Qual reconstruções
Após as tempestades...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Batalha



Na fictícia cidade ergo edifícios fortes
Mas do muro e do lago já não preciso
Pois aprendi a defesa maior
Antes, suposta princesa
Hoje, mulher plena
Em minha batalha pessoal
Enfrento dragões criados por mim
Meus próprios cavalheiros, dentro de mim
Lutam pela batalha já ganha
A lua, altiva, ilumina sombras
Penumbras já não me vencem
São feitas para nos escondermos de nós mesmos
Faço delas repouso e preparo
Meus edifícios impuseram o crescimento
Tudo é força e luz


sábado, 10 de abril de 2010

Poetar


O destino é traço de nossos passos pelo chão
E por mais que tentemos a alegria alcançar
Aqui não estará pois não é deste mundo
Os vazios procuramos preencher com ilusões
Uma luz, um aconchego, uma razão de ser
Em manhãs ensolaradas, visto-me de poeta
E brinco, a "poetar" sentimentos
E profetizando meus sonhos, volto a caminhar
Em noites enluaradas sonho promessas de vida
No ofício de juntar cacos, a trama do desatino
No rosto, sorriso amarelo camaleoando girassóis
Amolo a infinita paciência com a faca afiada do sentir
Pois só o sentir tranforma essências em luz
Convém ao mundo que os ciclos se fechem
Outonamente
As folhas caem das árvores e voltam verdejantes
Simplesmente transmutadas em brilhos radiantes
Outonamente
As lágrimas de meus olhos como os do poeta, fadigados
Adubam a nova terra por onde hei de pisar
Tarefa de trazer de volta quem sempre fui
Ornada antecipadamente pela primavera que virá
A inspiração voltando branda mas plena
Cá, dentro de mim, em batalhas
Debatem-se a poeta e a louca
Ambas vencem
Ontem hoje e amanhã, velhas amigas.
Como um vulcão em chamas meu coração estanca
Revestido de ternura, beleza e graça.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Torre de Babel


Presa, como um nó na garganta a poesia está
Como nuvens negras a tinta borra o papel
A borracha esgotou toda a sua força
Minha imaginação já não é
Corro os olhos em antigos poemas
Admiro-os, fui eu quem escrevi?
Hoje, na imensidão de meu coração
O silêncio
Sentimento forte, ambíguo
Choro manso, riso forte
São tantas sensações no coração
Já fraco, dilacerado, estampado de ilusões
Do alto do edifício vejo-me pequena
Pombas me comem em migalhas
No chão permaneço olhando o vasto céu
Mas seu pavão misterioso não mais existe
Caminho noite adentro
E tento buscar alento
Em vão...
Faltam-me versos, fugiram de mim em bando
Meu sorriso brando esconde minha dor
E, no entanto
Minha mente de poeta agita
Busca satisfação em sentimentos transmutados no papel
Qual Torre de Babel...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Céu e Terra


Percorro os olhos por todo o céu
Minha estrela-guia, onde estará?
Em meu peito a solidão se instala
Branda mas sem pedir licença
A lua encoberta por negras nuvens
Mescla-se com meus pensamentos
O vento forte, a chuva incessante
Lágrimas a brotar em minha face
Um cometa rasga o céu
E com ele meu coração
Que sangra exposto às tempestades
Constelações assemelham-se a cada ferida
Embora saiba que como poeira
Transmutarão-se em cicatrizes
Como bálsamo, a lua
Iluminando a triste rua de meus passos
Buscando algo maior rejuvenesço
Espalhando amor, recobro os sentidos
Mergulhando na paz
Um futuro céu límpido espera
E de ternuras serei reconfortada
De pétalas de estrelas irei me cobrir
Enquanto a luz de flores a me sorrir
Ao paraíso irão me conduzir
( Só a poesia salva)

terça-feira, 30 de março de 2010

Reflexo compartilhado



Não há luz senão refletida pelos olhos de quem a vê
Tantos são os que caminham tateando a escuridão
Caminho em direção contrária ao vento
Busco paz, busco alento
Dias difíceis mas entes dóceis a me consolar
O mistério da vida a sondar-me as portas da reflexão
Estrela longíqua a bailar no céu
Refletindo em meu rosto sua ofuscante luz
A ela me agarro como a um raio de sol
Sol penetrante a me amparar
Seus raios dourados a me embalar
Amor, muito amor é o que preciso
Amor, muito amor é o que tenho a oferecer
Para quem o merecer
E o reflexo naturalmente se fará

sábado, 27 de março de 2010

Poesia e luz

Quando de repente exausta
Resolvo tudo abandonar
Eis que surge um luz opaca
Absorvo-a em meu ser
E pela alquimia do amor a transformo
Lápis e papel à mão
Brilho forte, de luz radiante
Metamorfose de sensações
Irradiante brilho a rondar-me
Transparência de sentimentos
Enfim, abrando meus tormentos
E a poesia se faz singela
Abrindo portas trancadas
Percorrendo longas estradas
A poesia é luz

terça-feira, 23 de março de 2010

Como é difícil adormecer...


Uma doce canção ao vento
No meio da noite tento me inspirar
Ao ver expirar minha aflição
Sofro e sinto-me livre
Idiossincrasias dessa vida
Como um cometa atravesso o céu
E me desfaço em milhares de partículas de luz
Tento montá-las em um vitral
Para ver refletido nele meu rosto
No céu, uma lua tímida tenta crescer
Na terra tento adormecer...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher


Mulher bonita, bonita mesmo
É aquela que acorda todos os dias plena
Dona de si e de seus atributos
Conhecedora de si mesma
Aquela que esquece de suas dores para amparar o próximo
A mulher que bebe suas lágrimas e renasce
A que dá conta de tudo que há de ser feito
A trabalhadora, mãe, dona de casa, e ainda mulher
Ainda que carente, feminina e forte
A verdadeira mulher tem fases como a lua
Mas não se deixa intimidar pelos reveses da maré
Usa para o bem seu sexto sentido
Busca formas de encontrar e espalhar a paz
Mulher bonita é assim
Por dentro.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meu eu



 Renuncio a hipocrisia
Gosto mesmo é da verdade, ainda que crua
E que me doa nas vísceras minha autenticidade
Que a vida me dê milhares de posssibilidades
Mesmo que com isso eu perca o equilíbrio
Quero meu coração batendo acelerado
Minhas veias levando e trazendo sangue em lavas
O sol da liberdade queimando-me o corpo
Não gosto de jogos, de meias palavras
Quero o horizonte limpo, onde posso ver
E mais que ver, enxergar além
Não me venha com falsos orgasmos
Traga-me a luz de seu cerne
Amo dar e provocar risadas
Porque sou sanguínea
Amo doar-me
Mas nunca mais do que você precisa ou quer
Porque também sei dosar
E se tiver que me atirar de ponta-cabeça no poço
Vou lá
Porque aprendi o caminho de volta.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Jornada


Pudesse eu ter o poder de refletir o sol que ontem brilhou em mim
Caminho tentando seguir o túnel que leva à luz mas meus passos vacilam
Mergulho em lençóis, na esperança do sonho que reanimará
Tateio, em meio à escuridão, o caminho do sol
Levo em meu coração o cordão que liga-me aos entes queridos
Vejo-me a sonhar acordada pois o sono foge de mim
Volto meu olhar ao horizonte que me eleva ao amor
Reflito no espelho olheiras espessas mas belas
Por que com elas cresço e rejuvenesço mais tarde
Lembro de fatos outrora vividos mas nunca esquecidos
Momentos de vida vividos plenamente
Minha mente abarrotada de ilusões realísticas
Consome aos poucos a esperança
Não desisto, luto intermitentemente
Preciso estar lívida e lúcida
A vida me leva a caminhos tortuosos e retos
Procuro a chave da gaveta onde enterrei meus sonhos
Sempre.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Nem de mim


Vislumbrei o azul, mas só sombra vi.
Embaixo do sol quente, resfolegando estava eu.
Viéses e reveses do passado a me sondar, minha vontade? bailar...
Minha virtude? Diga você...
Na sombra ínfima, me vi tentar, lutar até desmaiar...
A vida a girar em suas luzes ofuscantes,
Deixando-me visionária e só.
Tentei agarrar a sorte com todos os meus dentes,
matrizes de uma vida de busca,
Sorri, chorei, binquei, tentei...
Em vão?
Vi pessoas ao meu redor, pessoas maravilhosas,
Cada qual com sua particularidade e luz...
Roubei um raio de sol,
Sentimento esgarçado pelo tempo,
Esse senhor risível e ilusório...
Ilusões, armações, joguetes de um destino
Será uma constante o ato da busca?
Não sei.
Aliás, nada sei.
Nem de mim.
Diga você...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Baile


 A lua tocou levemente minha vidraça convidando-me ao amor
Onde estará o formoso beija-flor?
Será que, de flor em flor, esqueceu-se de sua rosa?
Pegarei carona então na cauda daquele cometa
Voarei horizontes longíquos a procura desse pássaro distraído
E tendo-o detido, trarei seus lábios rosados, polidos,
E ao reconhecer sua mais rara flor
Com sua rosa vermelha irá bailar e flutuar
No reflexo da janela, à luz da lua...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dificuldade


A dificuldade sempre foi uma constante em minha vida dissonante. Desde sempre, desejo revelado, desejo consumido e consumado, desejo novo a nascer. O novo é presente mas as vezes revela medos ou náuseas.
A vida flamejante, cheinha de possibilidades e novidades sempre sempre sempre nova. A novidade vibra dentro, em mim, como o pássaro descobre sua nova rosa e suga-lhe pétalas e néctares. Muitas vezes o azedume mas nunca nunca o parar de tentar. Nunca nunca o desistir perante a dificuldade. Muitas vezes a necessidade vem como vem o novo dia e pede brilho. O medo pode despontar, desapontar, agredir, regredir mas não frear-me. E esses dias que passaram trouxeram-me estranheza mas possibilidade. Tristeza mas responsabilidade ante a precisão da luta e do podium primeiro, ou segundo, ou terceiro, mas ele lá: o podium de chegada. Com suas bandeiras e ares felizes de quem corre mas chega.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Alquimia


Tanto sonho transmutado em outros
São como bolhas de sabão antes de sumirem
E levados pelo bico do beija-flor
Volatizando em parcos ares
Vindo e indo em cascatas
Seguem tocando objetos e seres amados
No céu, sempre a mesma lua
A nos cobrir de esperança luminosa
Aqui embaixo, sempre os mesmos devaneios
Cegando, lucidez luminosa
Mas envolta em brumas esparsas
Pela janela sopro meus sonhos
Esperando que voltem realizando os tais desejos
Enquanto isso fecho os olhos
E permaneço.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um brilho


Um raio de luar caiu sobre seus tenros cabelos.
Ao passar os dedos por entre os fios, roubei-o pra mim;
Iluminei-me então de seu brilho,
E iluminada segui em meus passos vacilantes.
Mais adiante, o que vislumbrava eram imagens coloridas,
Imagens ressonantes, harmonizadas de seu matiz.
Quando enfim retornei a casa primordial,
Banhada de luz e fundida em sua cor,
O que senti... raízes, vitrilhos primeiros,
Derradeiros,
Desse amor-aprendiz.
Brilhamos desde então.
C a l e i d o s c o p i c a m e n t e...